A força da cachaça mineira toma conta do Mercado Central em grande celebração cultural
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Por: Mauro But
O Mercado Central de Belo Horizonte viveu, nesta quinta-feira (21/5), um daqueles dias em que Minas Gerais parece caber inteira dentro de um copo de cachaça. Entre aromas de cana, conversas animadas, degustações e histórias carregadas de tradição, a Cozinha Itambé por Cumbucca recebeu um grande encontro dedicado ao Dia da Cachaça Mineira, uma celebração que reuniu produtores, especialistas, autoridades, imprensa e apaixonados pela cultura mineira em um dos espaços mais emblemáticos da capital.
O evento transformou o Mercado Central em uma verdadeira vitrine da identidade mineira. Em cada mesa, uma história. Em cada gole, um retrato da força cultural, econômica e turística da cachaça produzida em Minas Gerais, estado que lidera o Brasil no número de marcas registradas e na produção artesanal da bebida.

Idealizador e patrocinador do encontro, Marcelo Wanderley, proprietário da Cumbucca, destacou que a cachaça carrega um papel estratégico para o desenvolvimento econômico e turístico do estado. “A cachaça movimenta a economia, fortalece os produtores e representa Minas Gerais internacionalmente. Ela é um produto sofisticado, de qualidade, e precisa ser cada vez mais valorizada”, afirmou.
Segundo ele, o evento nasceu justamente da necessidade de aproximar o público da riqueza que existe por trás da bebida. “A Cumbucca trabalha para promover os produtos mineiros de forma criativa. Quando reunimos produtores, especialistas, governo e consumidores em torno da cachaça, mostramos que ela tem futuro e enorme potencial para apoiar o desenvolvimento do nosso estado”, ressaltou.

O presidente do Mercado Central, Geraldo Campos, destacou que dificilmente existiria um lugar mais simbólico para celebrar o Dia da Cachaça Mineira do que o próprio coração gastronômico de Belo Horizonte. Para ele, o Mercado Central traduz a alma e as tradições do povo mineiro. “O Mercado Central é a extensão da casa do mineiro. E na casa do mineiro não pode faltar café, queijo e cachaça”, afirmou.
Geraldo ressaltou ainda que a bebida vai muito além da tradição: ela movimenta o turismo, impulsiona a economia, fortalece os pequenos produtores e ajuda a levar a identidade cultural de Minas Gerais para o Brasil e o mundo. “A cachaça traduz nossa cultura gastronômica e possui enorme relevância socioeconômica. Existe um mercado gigantesco para crescer, gerar emprego, renda e fortalecer os pequenos produtores do interior”, destacou.

Durante a programação, especialistas reforçaram o potencial da cachaça como experiência turística. O sommelier e curador Leo Gomes destacou que os alambiques mineiros têm se tornado destinos cada vez mais procurados por turistas brasileiros e estrangeiros em busca de autenticidade. “Hoje o turista quer viver experiências. E visitar um alambique é mergulhar na essência de Minas Gerais”, explicou.
Ele descreveu o percurso afetivo que envolve a produção artesanal da bebida. “Você acompanha a moagem da cana, experimenta a garapa, vê a fermentação, a destilação e termina sentado diante de uma mesa com comida mineira e cachaça. Isso cria memória, conexão e pertencimento”, destacou.

Representando a Emater-MG, Lucas Carneiro lembrou que a cachaça faz parte das raízes do país. “É um produto genuinamente brasileiro e um dos pilares históricos do nosso agronegócio. Precisamos divulgar cada vez mais a cachaça de qualidade e abrir novos mercados”, afirmou.

A Secretaria de Estado de Cultura e Turismo também reforçou a importância da bebida na construção da imagem turística de Minas Gerais. Para Emanuelle Oliveira, a cachaça é um dos principais símbolos sensoriais do estado. “Quando alguém pensa em Minas Gerais, imediatamente lembra da gastronomia, do queijo, do pão de queijo e da cachaça. Ela faz parte da experiência turística mineira”, destacou.

Já Luiza Castro, representante do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), destacou que a regularização dos pequenos produtores artesanais pode transformar a realidade econômica de centenas de famílias mineiras. Segundo ela, muitos alambiques carregam receitas tradicionais passadas de geração em geração, mas ainda precisam entrar na formalidade para alcançar mercados maiores e mais lucrativos. “Quando o produtor regulariza sua cachaça, ele agrega valor ao produto, amplia mercado, consegue vender para fora do estado, até para fora do Brasil, e passa a ganhar mais com aquilo que já produz com qualidade há muitos anos”, explicou.
Luiza também ressaltou que a aproximação do IMA com os produtores tem sido fundamental para facilitar esse processo e fortalecer ainda mais a cachaça mineira no cenário nacional e internacional.

Entre rodas de conversa, degustações guiadas de cachaças artesanais e sabores tipicamente mineiros, o evento deixou evidente que a cachaça vive um momento de forte valorização cultural e econômica em Minas Gerais. O público participou de uma verdadeira imersão gastronômica, acompanhada de pão de queijo e broas mineiras preparadas pela chef Fabiana Rodrigues, que conquistou os convidados com receitas que traduziram, em sabor, a essência da cozinha mineira. A programação reforçou como a cachaça deixou de ocupar apenas os balcões dos botecos para ganhar espaço de destaque na gastronomia premium, no turismo de experiência e na economia criativa do estado.

E foi justamente no coração do Mercado Central, um dos maiores patrimônios culturais e gastronômicos de Minas Gerais, que a cachaça reafirmou toda a sua força como símbolo da identidade mineira. O espaço Cumbucca se transformou em palco de encontros, experiências e conexões que movimentam não apenas a gastronomia, mas todo o trade turístico e a economia criativa do estado. Com uma organização elogiada pelos participantes, Marcelo Wanderley mostrou que valorizar a cachaça é também impulsionar produtores, fortalecer o turismo, preservar tradições e abrir novas oportunidades para Minas Gerais crescer através da própria cultura. Em meio aos aromas da cozinha mineira, às histórias dos alambiques e à energia do Mercado Central, o evento deixou claro que a cachaça mineira vive um novo tempo: mais valorizada, sofisticada e cada vez mais protagonista dentro e fora do Brasil.





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