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BELEZA PURA: Voltamos aos Anos 80, Só que na tela do celular

há 11 horas
4 min de leitura

A trend que transforma selfies atuais em versões oitentistas com cabelos volumosos e cheios de laquê resgata uma estética que vai muito além da nostalgia: ela também nos faz pensar sobre a relação que temos hoje com o cuidado dos fios.



“Nos anos 80, cabelo grande não era acidente. Era declaração.”

Por Orígenes Marques

Você já deve ter visto — ou até feito — a sua versão. A trend tomou conta do feed: você sobe uma foto, a inteligência artificial entra em cena e devolve uma versão sua com cabelo enorme, franja armada e aquele brilho de laquê que só os anos 80 pareciam saber produzir.

É engraçado. É nostálgico. E, de certa maneira, também é um espelho.

Porque, por trás da brincadeira, existe uma pergunta interessante: para onde foi todo aquele volume?



Quando o cabelo dizia “eu estou aqui”

Nos anos 80, cabelo grande não era acidente. Era declaração.

Volume significava presença. As pontas armadas, os cachos generosos, o mousse aplicado sem medo e as doses generosas de spray comunicavam uma coisa muito simples: “eu estou aqui — e não vou passar despercebida.”

A estética voltou com força em campanhas de moda, editoriais e, agora, nas redes sociais, impulsionada por imagens recriadas por inteligência artificial.

E talvez exista algo nessa estética que a gente tenha sentido falta sem perceber.

Não necessariamente do laquê. Nem da franja impossível de domar.

Mas da ideia de que o cabelo também poderia ocupar espaço.


Da laca ao laboratório

O que aconteceu entre aquele cabelo espetacular e os fios que muitas pessoas usam hoje não foi apenas uma mudança de tendência.

Foi também ciência.

A indústria cosmética avançou muito nas últimas décadas. Hoje existem ativos, tecnologias de formulação e tratamentos desenvolvidos para diferentes necessidades da fibra capilar, com recursos que simplesmente não estavam disponíveis quarenta anos atrás.

Aprendemos muito mais sobre hidratação, proteção, reconstrução e manutenção.

Mas esse avanço trouxe também uma mudança de comportamento.


A tecnologia facilitou o cuidado — e, paradoxalmente, pode ter feito muita gente prestar menos atenção ao próprio cabelo.

O alisamento resolveu um problema. E trouxe novas responsabilidades

A popularização dos alisamentos, das progressivas e de outros procedimentos de transformação tornou possível conquistar um cabelo mais liso, disciplinado e com uma rotina aparentemente mais simples.

A palavra importante aqui é: aparentemente.

Procedimentos químicos modificam a fibra capilar e exigem cuidados compatíveis com esse processo. Quando existe química, existe também uma necessidade maior de atenção à condição dos fios e, em alguns casos, ao couro cabeludo.

O problema não está necessariamente em escolher o cabelo liso.

Está em acreditar que, depois da transformação, o cuidado deixou de ser necessário.

É justamente o contrário.


Quanto maior a intervenção, maior deve ser a atenção à manutenção.

Hidratação, nutrição, reconstrução quando necessária, proteção térmica e acompanhamento adequado podem fazer parte dessa rotina.

E não existe uma fórmula única.

Cada cabelo responde de uma maneira.


O couro cabeludo também entra na conversa

Existe ainda uma parte da cabeça que costuma ficar esquecida quando falamos de beleza: o couro cabeludo.

Ele não é apenas o lugar onde o cabelo nasce. É parte fundamental da saúde dos fios.

Oleosidade excessiva, ressecamento, descamação, desconfortos e acúmulo de produtos podem indicar que a rotina de cuidados precisa ser revista.

Por isso, cuidar do cabelo não deveria significar apenas fazer o fio “ficar bonito”.

É observar o conjunto.


Talvez a trend não seja sobre cabelo

É curioso que justamente uma brincadeira criada por inteligência artificial esteja despertando tanta identificação.

A tecnologia está criando uma versão digital dos nossos cabelos de décadas atrás.

E nós estamos olhando para ela e pensando: “olha como era bonito.”

Mas talvez a nostalgia não seja apenas pelo volume.

Talvez seja pela atitude.

Pelo cabelo que chegava antes da pessoa.

Pela franja que não obedecia.

Pelos cachos que ocupavam espaço.

Pela liberdade de experimentar uma estética sem necessariamente buscar a aparência mais controlada possível.

A moda funciona assim. Ela vai, volta, mistura épocas e reapresenta antigos desejos com uma nova linguagem.

O que era exagerado ontem pode virar referência amanhã.


O volume pode voltar. O cuidado também

Não é preciso abandonar o alisamento, a escova, os cabelos lisos ou qualquer outra escolha estética.

A questão é outra: toda escolha capilar precisa vir acompanhada de cuidado.

Se você gosta do cabelo liso, cuide dele.

Se prefere os cachos, cuide deles.

Se quer volume, assuma o volume.

Se quer mudar, mude — mas entenda o que está fazendo com os seus fios.

Porque cabelo bonito não é apenas o cabelo que segue uma tendência.

É aquele que consegue sustentar a escolha estética com saúde e cuidado.


E para fechar...

A trend dos anos 80 pode até ser uma brincadeira de tela.

Mas ela reabre uma conversa que vale a pena levar para fora dela.


Seu cabelo de hoje conta uma história.

Conta a história das suas escolhas, das transformações pelas quais passou e, principalmente, da atenção que você dedica a ele.

Talvez a verdadeira nostalgia não seja pelo cabelo enorme, pela franja armada ou pelo excesso de laquê.

Talvez seja pela relação mais presente que tínhamos com aquilo que colocávamos na cabeça.

E, quem sabe, a grande tendência que está voltando não seja o volume.

Seja o cuidado.


Ah, tá... esqueci, e eu também entrei na moda


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