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Carta ao meu Tio Roberto

há 20 horas
3 min de leitura

Por João Paulo Dornas


Tio Roberto. Hoje escrevo essa coluna sentado à sua mesa. Mesmo sem merecê-la. Queria te dizer que, humildemente, estou aqui na Terra lutando pelo seu legado.


   Reconheci o maior deles no dia em que meu irmão e eu fomos agradecer pelos anos de estudo na sua escola. Tio, você perguntou: “O que tá sobrando na roça da sua mãe?”   Eu e Pedro nos entreolhamos sem entender. Meu irmão: “laranja”. Ele disse: “Então traz laranja pra mim”.  E mesmo crianças entendemos. Quem tem algo farto deve doar ao outro. Quem tem laranja dá laranja e quem tem escola dá escola.


   Assim, o maior legado é o humanismo. Nada mais. E nada maior do que quaisquer outras “sub-lições” (você já iria me xingar, que não existe essa palavra).


   Hoje o senhor deve estar junto com meu pai. Vocês discordavam em tudo. Um galo, o outro América. Um boêmio, o outro workaholic. Um à direita, o outro à esquerda. Mas sempre juntos. Papai, como engenheiro, ajudou-o a construir o seu maior legado físico: uma escola. Onde, por quase 40 anos, desde 1987, forma o caráter de muitos jovens. Assim, vejo que, com tantas diferenças entre vocês, existiam dois elos inquebrantáveis. O sangue dos Dornas e o humanismo.


     Você deve estar ao lado da Tia Neuza aí em cima. Fala com ela que hoje eu só posso mandar, humildemente, um único fluído humano para vocês que são espíritos: gratidão.


   Avisa o tio Samuel que meu filho caçula tem o nome dele. E que ele é lindo e risonho. Ao vovô e ao meu pai, que o Gabriel adora música e, pela inteligência, é um Dornas nato. À vovó, que minha mãe se inspira nela todos os dias como matriarca para lidar com tantos Dornas. Ah! Fala com Silvestrão para cuidar do Silvestrinho, que acabou de chegar, e parar de brigar por causa de Galo e América. Ao tio Helvécio, que sua passagem pela Terra ainda reverbera. E para todas as minhas tias e tios que partiram, crianças, sinto a presença de todos em nossa família. Encarnados ou apenas sublimados.


    Tio Roberto, era isso. Que meu beijo grande de gratidão chegue ao bom lugar onde o senhor está. Aqui todos têm se esforçado para manter o seu legado. De vez em quando sai umas faíscas, mas caba tudo bem.



90 ANOS DE UMA HISTÓRIA QUE SE TRANSFORMOU EM LEGADO



📍Hoje celebramos os 90 anos de Roberto Geraldo de Paiva Dornas — saudoso professor, advogado, educador e uma das principais lideranças históricas do ensino privado brasileiro.



Uma vida dedicada à educação, ao Direito e à defesa da liberdade de ensinar e aprender. Dornas começou sua caminhada como professor. Aos 16 anos já estava em frente ao quadro negro com as mãos empoeiradas de giz.



Sua trajetória se confunde com a história da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino – CONFENEN, onde iniciou sua participação em 1968 e permaneceu por mais de cinco décadas, sendo Presidente durante 43 anos, de 1977 a 2020.



Ao longo dessa caminhada, esteve presente em importantes momentos da educação brasileira, participou dos debates da Assembleia Nacional Constituinte de 1988, defendeu a pluralidade educacional e o direito de escolha das famílias, além de atuar na construção e fortalecimento da representação das instituições privadas de ensino.


Seu legado também está no Direito, na produção de estudos e publicações sobre legislação educacional, contratos de matrícula, mensalidades, relações trabalhistas e na defesa das instituições de ensino.



Recebeu importantes homenagens ao longo da vida, entre elas a Comenda da Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho, concedida pelo Tribunal Superior do Trabalho, em 2015, e o reconhecimento do Senado Federal, em 2019, como “mentor e Presidente” da CONFENEN.



Mais do que os cargos ocupados, ficam as ideias, as instituições, os ensinamentos e as pessoas que fizeram parte dessa caminhada. 90 anos de uma história. Mais de cinco décadas dedicadas à educação. 43 anos de liderança na CONFENEN.

Uma vida que se tornou memória e legado.


Hoje, celebrar Roberto Dornas é celebrar também a educação, o conhecimento, o Direito e a liberdade de ensinar e aprender.

São 90 anos de uma trajetória que continua inspirando gerações.


1 comentário


joaopaulocastroalvares
há 6 horas

Muito bonito o texto João Paulo Dornas. Parabéns por eternizar em nossas memórias o nosso professor Roberto

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