Comissão da ALMG vai ao Parque do Biribiri em meio a impasse sobre concessão
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A proposta de concessão do Parque Estadual do Biribiri à iniciativa privada ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (27). A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais realiza uma visita técnica ao parque, localizado em Diamantina, com o objetivo de ouvir moradores e representantes da sociedade civil.
A agenda foi solicitada pela deputada Beatriz Cerqueira (PT), que tem criticado a condução do processo pelo Governo de Minas. O encontro está marcado para as 10h, na portaria da unidade de conservação.
Com cerca de 17 mil hectares, o Biribiri é um dos destinos mais procurados do estado para o ecoturismo. Em 2024, mais de 52 mil pessoas visitaram o local, atraídas pelas trilhas, cachoeiras e pela paisagem preservada da Serra do Espinhaço.
Promessa de investimentos e aumento do turismo
O governo estadual defende que a concessão pode transformar o parque em um polo ainda mais estruturado de turismo sustentável. O contrato previsto terá duração de 30 anos e inclui investimentos de aproximadamente R$ 3,6 milhões em infraestrutura, além de R$ 1,5 milhão destinados à manutenção.
A expectativa é que, até 2054, o número de visitantes chegue a 179 mil por ano, impulsionando a economia local com geração de empregos e aumento da arrecadação.
Pelo modelo proposto, a gestão dos serviços — como recepção de visitantes e manutenção — ficará a cargo de uma empresa privada, enquanto a área continuará sendo pública, sob supervisão do Instituto Estadual de Florestas.
Resistência local e críticas ao processo
Apesar das promessas, a proposta enfrenta forte resistência em Diamantina. Moradores e movimentos sociais alegam falta de diálogo e questionam os impactos da concessão.
O movimento “O Parque do Biribiri é nosso” tem mobilizado a população contra o projeto. Entre as principais preocupações está a possibilidade de cobrança de ingressos, o que, segundo o grupo, pode restringir o acesso da população e descaracterizar a função social da unidade.
As críticas também se estendem à audiência pública realizada pelo IEF em fevereiro. Segundo relatos, o encontro ocorreu em local de difícil acesso e foi interrompido por falta de energia, o que teria comprometido a participação popular.
Para a deputada Beatriz Cerqueira, o processo de escuta tem sido insuficiente. Ela afirma que as consultas públicas estariam sendo realizadas apenas para cumprir exigências formais, sem garantir efetiva participação das comunidades afetadas.
Patrimônio natural e histórico em risco?
Criado em 1998, o parque ocupa uma área estratégica na Serra do Espinhaço e atua como divisor de águas das bacias dos rios São Francisco, Doce e Jequitinhonha. A região abriga ecossistemas de cerrado e campos rupestres, fundamentais para a preservação de espécies ameaçadas, como o lobo-guará e a onça-parda.
Além da biodiversidade, o Biribiri guarda um rico patrimônio histórico. No interior da unidade estão pinturas rupestres, ruínas de antigas construções e o chamado Caminho dos Escravos, vestígio do período colonial.
Outro destaque é a Vila do Biribiri, criada no século XIX para abrigar trabalhadores de uma fábrica de tecidos. Hoje, o local é um dos principais pontos turísticos da região, combinando história e natureza.
Debate que vai além do Biribiri
A possível concessão do parque integra o Programa de Concessões de Parques Estaduais de Minas Gerais, que inclui também unidades como Ibitipoca, Sumidouro e Itacolomi.
O modelo adotado pelo estado reflete uma tendência nacional de parcerias com a iniciativa privada na gestão de áreas naturais. Enquanto o governo aposta na melhoria da infraestrutura e na ampliação do turismo, críticos alertam para riscos de elitização do acesso e perda de controle social.
A visita da comissão da Assembleia Legislativa deve ampliar o debate e dar voz à população local — peça central em uma decisão que pode redefinir o futuro de um dos patrimônios naturais e culturais mais importantes de Minas Gerais.
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