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ELEIÇÕES: Turismo nos planos dos candidatos ao Governo de Minas, mas propostas têm focos divergentes

  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

Cultura, patrimônio, gastronomia, eventos e regionalização aparecem entre as principais estratégias apresentadas pelos candidatos para transformar o turismo em vetor de desenvolvimento econômico no estado

Com 853 municípios, patrimônio histórico reconhecido internacionalmente, gastronomia, festas populares, turismo de natureza e uma extensa diversidade de paisagens, Minas Gerais chega às eleições de 2026 com um desafio: transformar seu potencial turístico em uma política permanente de desenvolvimento econômico e regional.

Os planos de governo apresentados pelos candidatos ao Governo de Minas mostram que o turismo está presente na agenda eleitoral, embora com diferentes níveis de detalhamento. Entre as propostas aparecem a estruturação de roteiros, a valorização do patrimônio e da gastronomia, a descentralização dos investimentos, a qualificação profissional e a utilização do turismo como instrumento de geração de emprego e renda.

A comparação dos documentos registrados na Justiça Eleitoral mostra, porém, que as candidaturas adotam estratégias distintas para o setor.

Mateus Simões aposta na integração entre cultura e turismo

O plano de governo de Mateus Simões (PSD) coloca turismo, cultura e esporte dentro de um mesmo eixo estratégico.

A proposta parte da avaliação de que Minas possui patrimônio cultural de reconhecimento mundial e uma identidade que pode ser transformada em ativo econômico. O documento também destaca o crescimento recente do turismo no estado, associado à diversificação de rotas e à criação de novos produtos.

Entre as principais diretrizes estão a articulação entre cultura e turismo, a ampliação e diversificação das rotas turísticas e a criação de uma política permanente de captação e qualificação de eventos.

O plano também defende a desconcentração regional dos investimentos culturais, buscando ampliar a participação de agentes e projetos do interior.

Na prática, a proposta de Simões trata o turismo menos como uma atividade isolada e mais como parte de uma estratégia econômica ligada à identidade cultural mineira.

Cleitinho propõe infraestrutura e roteiros regionais

O plano de governo de Cleitinho Azevedo (Republicanos) também inclui o turismo entre os eixos estratégicos da candidatura.

O documento prevê a descentralização dos recursos culturais, editais regionalizados, preservação do patrimônio histórico e incentivo ao artesanato e à gastronomia tradicional.

Para o turismo, a proposta inclui a estruturação de roteiros regionais, qualificação dos profissionais do setor e investimentos em infraestrutura turística nos municípios.

A estratégia aproxima turismo e desenvolvimento local, especialmente ao considerar municípios do interior como protagonistas na criação e comercialização de produtos turísticos.

Kalil aposta no turismo de experiência

O plano de governo de Alexandre Kalil (PDT) apresenta o turismo dentro de um eixo específico denominado “Turismo, Cultura e Economia da Experiência”.

O documento defende uma estratégia de desenvolvimento regional articulada aos municípios e coloca o turismo entre os setores considerados estratégicos para geração de empregos, renda e novas oportunidades econômicas.

A proposta está associada a uma visão mais ampla de turismo de experiência, envolvendo patrimônio, identidade cultural, economia criativa e desenvolvimento territorial. O plano também prevê políticas regionalizadas para as diferentes regiões de Minas e maior integração entre Estado e municípios.

A lógica apresentada é transformar as características específicas de cada região em produtos capazes de atrair visitantes e movimentar a economia local.

Gabriel Azevedo destaca turismo cultural

O candidato Gabriel Azevedo (MDB) também incluiu o turismo em seu programa de governo.

A proposta está relacionada principalmente ao fortalecimento do turismo cultural de Minas Gerais. O plano apresentado pela candidatura também defende uma maior regionalização da gestão pública e políticas construídas de acordo com as características de cada território.

O turismo aparece associado à estratégia econômica do Estado, com valorização do patrimônio e das características culturais mineiras.

A candidatura defende ainda uma visão de Minas como um Estado formado por diferentes realidades econômicas e territoriais, o que se reflete na proposta de governos regionais.

Patrus coloca turismo dentro de uma estratégia de desenvolvimento

O programa de governo de Patrus Ananias (PT) apresenta uma abordagem mais ampla de desenvolvimento estadual, relacionando políticas econômicas, sociais, culturais e territoriais.

O turismo aparece dentro dessa estratégia de valorização das potencialidades de Minas Gerais e de fortalecimento do desenvolvimento regional.

A candidatura também tem histórico de atuação parlamentar relacionado ao setor. Em 2026, por exemplo, Patrus destinou emenda de R$ 200 mil para apoiar a realização da Feira Nacional do Artesanato em Belo Horizonte, segundo registros da Câmara dos Deputados.

Um ponto em comum: interiorização

Apesar das diferenças políticas e econômicas entre as candidaturas, um ponto aparece com frequência nos programas: a necessidade de levar o desenvolvimento turístico para além de Belo Horizonte e dos destinos tradicionais.

Minas possui destinos consolidados como Ouro Preto, Tiradentes, Diamantina, São João del-Rei e Capitólio, mas também apresenta potencial em regiões como a Serra do Cipó, Mantiqueira, Canastra, Jequitinhonha, Vale do Rio Doce e Zona da Mata.

A regionalização aparece, portanto, como uma das principais oportunidades para o próximo governo.

Turismo ainda busca uma política de Estado

A comparação dos planos revela também um desafio: transformar propostas gerais em metas mensuráveis.

Questões como quantos turistas Minas pretende receber, quanto pretende aumentar a permanência média, quanto será investido em infraestrutura, quais destinos receberão prioridade e quantos empregos poderão ser gerados ainda aparecem de maneira limitada nos programas.

Outro ponto é a necessidade de integrar diferentes áreas. Turismo depende de estradas, aeroportos, segurança, saneamento, conectividade, patrimônio, cultura, gastronomia e qualificação profissional.

Nesse sentido, mais do que promover Minas Gerais, o próximo governo terá o desafio de estruturar os destinos para que o turista permaneça mais tempo e gaste mais no território.

Gastronomia, patrimônio e eventos podem ser diferenciais

Entre os ativos que diferenciam Minas Gerais está a combinação entre patrimônio histórico, gastronomia, cultura popular e natureza.

A valorização da gastronomia tradicional, do artesanato, das festas religiosas, do Carnaval, dos festivais culturais e dos eventos pode ampliar a movimentação turística durante todo o ano.

A captação de eventos também aparece como uma oportunidade para reduzir a sazonalidade e movimentar hotéis, restaurantes, bares, transportes e comércio.

O que está em jogo

Os programas apresentados pelos candidatos indicam que o turismo deixou de ser tratado apenas como uma atividade de lazer e passou a ocupar espaço dentro da agenda de desenvolvimento econômico.

A diferença estará, porém, na capacidade do próximo governo de transformar diretrizes em políticas permanentes, com orçamento, metas, indicadores e participação dos municípios.

Para um estado com a dimensão territorial e a diversidade cultural de Minas Gerais, o desafio não é apenas atrair mais turistas, mas fazer com que o turismo gere desenvolvimento em um número cada vez maior de municípios.

Mais do que vender Minas como destino, a próxima gestão terá de transformar o turismo em uma ferramenta de desenvolvimento regional.


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