Expocachaça: Ouro mineiro servido em pequenos goles
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Entre tradição, inovação e sabor, a Expocachaça revela como a simplicidade brasileira pode se transformar em excelência, cultura e negócios.

Por João Paulo Dornas
A Expocachaça mostra o que o mineiro tem de mais simples de uma forma sofisticada. E talvez esteja justamente aí uma das maiores riquezas de Minas Gerais: perceber que o nosso ouro não está apenas naquilo que reluz, mas também nas coisas singelas que carregam história, conhecimento, trabalho e identidade.
Durante três dias, Belo Horizonte voltou a ser a capital brasileira da cachaça. A 35ª edição da ExpoCachaça reuniu, de 6 a 8 de agosto, no CenterMinas Expo, produtores, alambiqueiros, especialistas, comerciantes e apaixonados pela bebida. O evento aconteceu simultaneamente à 19ª Brasilbier e à 4ª Minas + Doce, criando uma espécie de grande celebração daquilo que Minas sabe fazer como poucos: transformar ingredientes simples em experiências sofisticadas.
Mas quem percorre os corredores da Expocachaça percebe rapidamente que a feira é muito maior do que uma exposição de garrafas.
Ali existe uma história sendo contada em cada rótulo.
Existe o produtor que aprendeu com o pai e o avô a hora certa de cortar a cana. Existe o alambique que mantém técnicas tradicionais enquanto incorpora novas tecnologias. Existe a madeira escolhida para o envelhecimento, o tempo necessário para transformar sabores e aromas e, principalmente, existe a paciência.
É justamente essa combinação entre tradição e inovação que transforma uma bebida popular em um produto de excelência.
A edição de 2026 reuniu cerca de 250 expositores de 18 estados brasileiros e aproximadamente 2 mil produtos, além de uma programação que envolveu degustações, negócios, palestras, gastronomia e música. A organização projetou movimentação de cerca de R$ 30 milhões e aproximadamente 25 mil visitantes durante os três dias.
E talvez seja esse o grande encanto da Expocachaça: ela consegue colocar no mesmo espaço o pequeno produtor e o mercado sofisticado; o alambique artesanal e o consumidor que começa a descobrir que cachaça também pode ser apreciada como um grande destilado.
Foi possível encontrar rótulos cristalinos, cachaças armazenadas em diferentes madeiras, versões envelhecidas durante anos e garrafas cuidadosamente apresentadas como verdadeiras peças de coleção.
O luxo, porém, não está somente na embalagem.
Está no processo.
Está no tempo.
Está na história.
Está na mão de quem produz.



A simplicidade que ganha valor
Minas Gerais tem uma característica curiosa: consegue transformar aquilo que parece cotidiano em patrimônio.
O queijo vira experiência gastronômica. O café ganha concursos internacionais. O doce de leite atravessa gerações. E a cachaça, que durante muito tempo foi tratada apenas como uma bebida popular, vem conquistando espaço entre os grandes destilados brasileiros.
A própria Expocachaça representa essa mudança de percepção.
O evento se apresenta como uma grande vitrine mundial da cadeia produtiva da cachaça e combina negócios, entretenimento, turismo, gastronomia e cultura.
Não é apenas sobre beber.
É sobre conhecer.
E quando se conhece a história por trás da garrafa, o gole passa a ter outro significado.
Um produto brasileiro com sotaque mineiro
Outro aspecto que chama atenção é a diversidade.
Embora Minas Gerais seja uma das grandes referências nacionais quando o assunto é cachaça, a Expocachaça deixa claro que a bebida pertence ao Brasil inteiro.
Os rankings nacionais de 2026 reforçam essa diversidade. No VIII Ranking da Cúpula da Cachaça, por exemplo, a Bylaardt Extra Premium ficou em primeiro lugar geral, seguida pela Mineiriana Carvalho e pela Baraúna Premium Carvalho.
Ou seja: a cachaça brasileira não é uma história de um único estado. É uma história construída por diferentes regiões, madeiras, técnicas, famílias e produtores.
Mas existe algo particularmente mineiro nessa relação com a bebida.
Talvez seja a capacidade de transformar uma mesa simples em encontro.
De colocar uma garrafa no centro e fazer a conversa começar.
De receber alguém com um café, um queijo, um doce e, por que não, uma boa cachaça.
A Expocachaça traduz isso muito bem.
O verdadeiro ouro
Saí da feira com a sensação de que falar de cachaça é falar muito mais sobre Minas do que sobre uma bebida.
É falar de território.
De memória.
De agricultura.
De pequenos produtores.
De famílias.
De cultura.
De empreendedorismo.
E de um Brasil que, muitas vezes, está escondido atrás de produtos que parecem simples demais para receber o título de sofisticados.
Talvez essa seja a grande lição da Expocachaça.
O ouro mineiro não precisa estar enterrado.
Às vezes ele está em uma garrafa.
Em uma mesa.
Em um doce.
Em uma conversa.
Ou em um pequeno gole de uma bebida que levou anos para ficar pronta.
A sofisticação, afinal, não está em abandonar a simplicidade.
Está em saber reconhecê-la.
E a Expocachaça faz exatamente isso: pega uma das coisas mais brasileiras que existem e mostra ao mundo que, quando existe história, qualidade e identidade, até aquilo que parece singelo pode se transformar em ouro.








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