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Movimento “Florestas por elas” amplia a liderança feminina em diferentes segmentos

há 1 dia
4 min de leitura

Iniciativa da Associação Mineira da Indústria Florestal apresentada em Belo Horizonte reuniu lideranças corporativas e públicas para debater a equidade de gênero, resiliência e a quebra de barreiras que ainda travam novas conquistas das mulheres



Embora as mulheres tenham avançado nos cargos de liderança, no Brasil, a disparidade de oportunidades e salários, entre homens e mulheres, permanece. Segundo Boletim do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), nos cargos de direção e gerência, em 2025, o salário médio dos homens foi de R$10.492. Já as mulheres, nos mesmos cargos, no mesmo período, acumularam um ganho de R$7.546, ou seja, 28% a menos. Para superar esses desafios, a AMIF (Associação Mineira da Indústria Florestal) lançou, no último dia 28, o movimento “Florestas por elas”, que reuniu mulheres do setor florestal, vindas de várias cidades mineiras, no auditório da Gerdau, em Belo Horizonte.

O movimento defende ações estratégicas para o ambiente de trabalho, como mensuração de competências e resultados sem vieses inconscientes de gênero, preparação de mulheres para posições de alta responsabilidade e abertura de acesso a redes de influência e projetos estratégicos, além da garantia de participação das mulheres em espaços de tomada de decisão, tornando a liderança feminina parte integrante da cultura organizacional.


Visibilidade

Reconhecida, recentemente, como uma das 100 Mulheres Poderosas do Agro, pela Forbes Brasil, Adriana Maugeri, presidente-executiva da AMIF, acredita que é preciso dar visibilidade às mulheres de todos os segmentos da economia. “O melhor de receber este reconhecimento é poder trabalhar para que mais mulheres também cheguem à liderança”, ressalta.

Segundo ela, especificamente no setor florestal, há muitas mulheres, muito mais do que se acredita, com potencial para se tornarem grandes lideranças. “O problema é que muitas ainda não se enxergam nessa posição. Queremos trazer essas mulheres à superfície, dar voz a elas. Fazer com que olhem para elas mesmas e vejam a força e a potência que são”, observa.

Para que essa transformação aconteça, no entanto, é fundamental promover a colaboração entre homens e mulheres, sem estabelecer hierarquias de capacidade. “O equilíbrio é o segredo. As mulheres são ótimas planejadoras, estrategistas. Os homens são excelentes executores. Quando os dois se juntam, temos uma potência”, acrescenta.


Embaixadoras

O “Florestas por elas” reuniu quatro mulheres, que aceitaram ser embaixadoras do movimento, e dividiram um pouco de suas trajetórias inspiradoras. Uma delas foi Helenice Laguardia, jornalista multiplataforma, do grupo O Tempo, que relatou as mudanças no mundo corporativo. Ela lembrou do início da carreira, até 2009, quando, muitas vezes, em eventos, grandes coberturas e entrevistas, era a única mulher. Investiu nos estudos e seguiu. Este ano foi incluída na lista dos 50 Profissionais Mais Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças. “A consolidação desses espaços exige presença contínua, estudo e ocupação ativa dos locais de fala”, destacou.

Casada, mãe de dois filhos, grata por ter se inspirado na profissão do avô, a Coronel Jordana Daldegan, primeira mulher a assumir o Comando-Geral do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), destacou importantes conquistas das mulheres e cita como exemplo a própria corporação. Segundo ela, até 2023, em todos os concursos realizados pelo Corpo de Bombeiros, havia uma trava legal, limitando a 10% as vagas destinadas às mulheres. Com isso, o número de mulheres na atividade ficava em torno do mesmo percentual. Só a partir de 2024, essa barreira caiu e os certames passaram a ser de ampla concorrência. Hoje, diz, no Cargo Máximo da Corporação, de Coronel, há igualdade, sendo três mulheres e três homens. “Chegamos ao topo por competência”, disse. A Comandante acrescenta, por outro lado, que é preciso não alimentar nenhum tipo de competição. “A mulher veio para contribuir”, resumiu.

Titular mais longeva da Secretaria Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais, ex-presidente e atualmente Diretora de Relações Institucionais da Copasa, onde comandou um processo de privatização humanizado e em tempo recorde, Marília Mello atribuiu sua permanência na vida pública à capacidade de adaptação e resiliência desenvolvida por mulheres diante de demandas múltiplas. Mãe de três meninos, Marília diz que nem sempre é fácil, mas é possível conciliar cargos de alta liderança com as funções de filha, mulher e mãe. “É essa resiliência que nos faz enfrentar situações desafiadoras, que nos ajuda a vencer a síndrome da impostora e a conduzir processos complexos”, complementa.


Raízes fortes

Para encerrar o evento, a palestrante e mentora de carreira, Cristina Márcia, trouxe o tema "Raízes fortes: a liderança feminina que cultiva pessoas, resultados e futuros". Ela questionou quantas mulheres já precisaram provar que estavam prontas para ocupar uma função e defendeu que a liderança começa na apropriação da própria história. Lembrou também dados históricos: até 1977, por exemplo, havia quem afirmasse que o cérebro feminino era menor, e, até 1993, mulheres não eram incluídas em amostras para aprovação de medicamentos. Cristina Márcia sugeriu que as mulheres sejam intencionais, definam aonde querem chegar e ocupem espaço, já que "a fala é lugar de poder".

A proposta do “Florestas por elas” é dar continuidade a esse debate e transformar as reflexões em iniciativas capazes de ampliar a presença feminina nos espaços de decisão. Com o movimento, a AMIF busca fortalecer conexões entre mulheres, dar visibilidade a trajetórias profissionais e contribuir para a construção de ambientes de trabalho com mais equidade de oportunidades e acesso à liderança.


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