MULHERES QUE MOVEM ESTRUTURAS: O AVANÇO DA EQUIDADE NO SISTEMA CONFEA/CREA
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Atualizado: há 3 dias

Quando o plenário do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) aprovou, por unanimidade, o Programa Mulher, em agosto de 2019, o gesto foi mais do que a validação de um documento. Representou a consolidação de um movimento construído, tijolo a tijolo, por profissionais, lideranças e entidades que reconhecem que as engenharias, a agronomia e as geociências devem refletir a diversidade da sociedade brasileira.
Desde 2018, grupos dentro do Sistema Confea/Crea se articularam para transformar pautas históricas em ações concretas. As inspirações vieram de marcos internacionais como a Convenção da ONU sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres, a Agenda 2030 e políticas públicas voltadas à promoção dos direitos femininos.
Esses princípios ganharam ainda mais força ao se confrontarem com uma realidade incontestável: dados do próprio Confea indicam que apenas cerca de 20% dos profissionais registrados no Sistema são mulheres. Em áreas estratégicas para o desenvolvimento do país — como infraestrutura, produção de alimentos, meio ambiente e inovação tecnológica — esse número evidencia não apenas uma desigualdade histórica, mas também uma oportunidade urgente de transformação.
Em Minas Gerais, essa mobilização se mostra consistente. O Crea-MG tem papel protagonista na implementação do Programa Mulher, reforçando seu compromisso com a ampliação da presença feminina no setor. Instituído nacionalmente em 2019, o Programa ganhou estrutura local em 2021, quando o Plenário do Crea-MG aprovou a criação do Comitê Gestor estadual. Desde então, o grupo atua na promoção de ações, na difusão de boas práticas e na articulação entre profissionais, entidades de classe, instituições de ensino e a sociedade mineira, ampliando o debate sobre equidade de gênero no campo tecnológico.
As diretrizes mineiras seguem alinhadas às políticas nacionais e à Agenda 2030 da ONU, especialmente ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nº 5, voltado à igualdade de gênero. Entre os principais objetivos do Programa estão: ampliar a participação das mulheres nas entidades de classe e nos conselhos regionais; estimular políticas de equidade nas áreas tecnológicas; fortalecer a formação, o registro e o desenvolvimento profissional de engenheiras, agrônomas e geocientistas; além de promover eventos, debates e espaços de visibilidade para essas profissionais.

TRANSFORMANDO REALIDADES
Mais do que ampliar estatísticas, o Programa Mulher propõe uma mudança cultural profunda. Ele convida conselhos, entidades e instituições a repensarem processos, abrirem espaço para novas vozes e reconhecerem que o desenvolvimento sustentável do país passa pela valorização das mulheres que constroem, projetam, inovam e lideram.
Essa visão também se reflete nas trajetórias de suas lideranças. A engenheira agrônoma Cláudia Beatriz Oliveira Araújo Versiani, que coordenou o Programa Mulher do Crea-MG em 2025, atualmente exerce a função de Diretora de Recursos Humanos do Crea-MG, dando continuidade à sua atuação estratégica na valorização das pessoas e no fortalecimento institucional.
Para ela: “O Programa Mulher do Crea-MG representa não apenas uma política de inclusão, mas um movimento transformador que reafirma que ‘lugar de mulher é onde ela quiser’. Ele foi criado para fortalecer o protagonismo feminino e oferecer espaços de desenvolvimento, troca de experiências e networking. Ao participar, cada profissional contribui para um Sistema Confea/Crea e Mútua mais diverso, onde a voz das mulheres seja valorizada e suas conquistas celebradas.”
Da mesma forma, a engenheira civil Maria Angélica, que atuou como coordenadora adjunta do Programa em 2025, assume neste ano a coordenação do Comitê Gestor do Programa Mulher do Crea-MG, reafirmando seu compromisso com a continuidade e o avanço das ações voltadas à equidade.
Ao refletir sobre sua trajetória, Maria Angélica destaca: “Acompanhei essa caminhada de perto desde 2021. Em 2022, tive a honra de assumir a coordenação e permaneci à frente por três anos. Desde 2025, sigo contribuindo como coordenadora adjunta. Esse período transformou não só o Programa, mas também a minha forma de enxergar o alcance da nossa atuação.”
Segundo ela, um dos primeiros desafios foi compreender, de forma concreta, quem são as mulheres dentro do Sistema. “No início, sentimos a necessidade de entender quem somos dentro do Confea/Crea. Fizemos um mapeamento: quantas somos, onde estamos, em quais modalidades atuamos e quais desafios enfrentamos. Esse retrato foi essencial para dar propósito e direção às nossas ações”.

A partir desse diagnóstico, o Programa investiu em iniciativas de acolhimento e fortalecimento da autoestima das profissionais. “Trabalhamos muito a motivação, o pertencimento e o reconhecimento, porque acreditamos que esse é o primeiro passo para qualquer transformação real”.
Em 2025, o Programa deu um passo estratégico ao se aproximar das instituições de ensino. “Passamos a dialogar diretamente com as alunas dos cursos tecnológicos, incentivando não apenas a permanência na formação, mas, principalmente, a coragem de ocupar o mercado de trabalho e exercer a profissão após a graduação. Também voltamos nosso olhar para o ensino médio, buscando despertar nas jovens o interesse pelas áreas tecnológicas e mostrar que esses espaços também são delas”.
Para Maria Angélica, o impacto vai além do incentivo: “O objetivo do Programa só se cumpre plenamente quando, além de incentivar, nós capacitamos. Quando oferecemos conhecimento, oportunidades, referências e segurança, porque uma mulher preparada, consciente do seu valor e do seu papel, não entra no Sistema — ela transforma o Sistema, a sociedade e todas as estruturas que toca, inclusive na área política”.

A CADA MULHER QUE ENTRA, A ESTRUTURA SE MOVE
O impacto do Programa ultrapassa os limites institucionais. Ele inspira estudantes, fortalece recém-formadas, apoia lideranças e contribui para a construção de um ambiente profissional mais inclusivo — onde as mulheres são estimuladas não apenas a ocupar espaços, mas a transformá-los.
A cada engenheira que se registra, a cada agrônoma que assume um cargo de decisão, a cada geocientista que se representa, o Sistema se fortalece e o país avança. Trata-se de mais do que um projeto: é um movimento contínuo, firme e transformador. Um convite permanente para renovar, valorizar e celebrar as mulheres que movem estruturas.

Agradecemos à Associação dos Ex alunos da Faculdade Kenedy pelo reconhecimento das ações do Programa Mulher do Crea-MG que busca o fortalecimento da participação de Mulheres da Engenharia, Agronomia e Geociências no Sistema Confea/ Crea/ Mútua e nos espaços de decisão. Na oportunidade parabenizamos pela iniciativa.