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O fim da era das carroças: entre a proteção animal e o dilema social

há 20 horas
2 min de leitura

FOTO CMBH


Por Theris Rawlison


Belo Horizonte deu mais um passo decisivo no encerramento de um capítulo histórico das suas vias urbanas. Em sessão realizada na última sexta-feira (9), a Câmara Municipal aprovou o Projeto de Lei 543/2025, que endurece significativamente as regras e punições para quem ainda circula com veículos de tração animal na capital.

Aprovada em segundo turno com 26 votos favoráveis, 10 contrários e duas abstenções, a matéria — de autoria do vereador Wanderley Porto (PRD) — segue agora para a mesa do Poder Executivo, a quem caberá a sanção ou o veto. Se sancionada, a lei permitirá a apreensão imediata das carroças encontradas em circulação, além da cassação de licenciamentos e da interdição de estabelecimentos ou atividades ligadas à prática.

A ofensiva legislativa, contudo, não se limita aos condutores. Na mesma sessão, os parlamentares deram aval, em primeiro turno, ao PL 768/2026. A nova proposta visa punir quem contrata, intermedia ou de qualquer forma se beneficia do transporte por tração animal — jogando luz e responsabilidade também sobre a ponta contratante.

Embora a proibição do uso de carroças esteja formalmente em vigor na capital desde janeiro de 2026, o debate no Plenário revelou que a transição está longe de ser pacífica. De um lado, sobem os tons em defesa dos direitos e da proteção dos animais, bem como da necessidade de fiscalização rígida para fazer cumprir a lei. Do outro, ecoam as preocupações legítimas sobre o impacto socioeconômico da medida: o que será dos trabalhadores e famílias que historicamente dependem das carroças para seu sustento?

A equação que se impõe à Prefeitura e à sociedade civil não é simples. Erradicar os maus-tratos animais é um avanço indiscutível para uma metrópole moderna, mas o sucesso definitivo dessa mudança dependerá da capacidade do município em oferecer alternativas reais de capacitação, inclusão produtiva e transição justa para os carroceiros afetados.

Theris Rawlison é radialista e diretor geral da Rádio Alternativa de Venda Nova, jornalista, escritor e engenheiro.

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