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O que seu candidato a governador pensa sobre o turismo?

há 19 horas
5 min de leitura

Encontro realizado ontem, na Fecomércio MG, reuniu candidatos e representantes das candidaturas ao Governo de Minas para discutir propostas, desafios e perspectivas para o turismo e o setor de eventos.



Por João Paulo Dornas


Minas Gerais tem um dos maiores patrimônios turísticos do país. História, cultura, gastronomia, natureza, negócios e eventos fazem parte de uma cadeia que movimenta hotéis, restaurantes, comércio, transporte, serviços e uma infinidade de atividades em todo o Estado.

Mas uma pergunta precisa ser feita ao eleitor mineiro: o que o seu candidato a governador pensa sobre o turismo?

Foi justamente essa questão que esteve no centro do encontro realizado ontem, quarta-feira (16), na Fecomércio MG, em Belo Horizonte. Promovido pela Federação de Convention & Visitors Bureaux de Minas Gerais (FC&VB-MG), o evento colocou o turismo e os eventos diante dos candidatos e representantes das candidaturas ao Governo de Minas.

A pauta apresentada pelas entidades do setor envolve temas como infraestrutura e mobilidade, conectividade, hotelaria, qualificação profissional, promoção dos destinos, captação de eventos, inteligência e dados, ambiente de negócios, governança e fortalecimento do turismo no interior.

Mais do que discursos de campanha, o encontro permitiu conhecer diferentes visões sobre como Minas pode transformar seu potencial turístico em desenvolvimento econômico.


Gabriel Azevedo: turismo como experiência


Gabriel Azevedo chamou atenção para a necessidade de valorizar a experiência mineira, incluindo cultura, gastronomia e eventos.

Ao falar sobre o Carnaval, defendeu que a atividade seja pensada para além dos dias oficiais da festa.

“O Carnaval não precisa começar sábado e terminar quarta-feira. Ele pode durar dois meses antes e, pelo menos, um mês depois.”

Para o candidato, é preciso valorizar também os ensaios, a preparação dos blocos e toda a cadeia que se movimenta antes e depois dos grandes eventos.

A mesma lógica, segundo ele, deve ser aplicada à gastronomia.

Ao defender a valorização da culinária mineira, Azevedo destacou que a comida servida nos eventos também faz parte da experiência do turista.

“A comida, em qualquer evento nosso, tem que ser incrível.”

Outro ponto levantado foi a necessidade de Minas pensar sua promoção turística de forma integrada.

“Nós não estamos competindo só com o Brasil. Nós estamos competindo com o mundo.”

O candidato também citou a necessidade de integração entre Estado e municípios na promoção dos destinos turísticos.


Mateus Simões: qualidade também precisa ser acessível


Mateus Simões abordou a relação entre qualidade, preço e diversidade de público.

Segundo ele, oferecer qualidade não significa necessariamente criar produtos inacessíveis para parte dos visitantes.

“Qualidade não pode ser pedida sempre com um serviço mais caro e mais refinado, porque isso exclui alguns públicos da nossa atração de turismo de evento.”

O governador também destacou a diversidade de experiências que Minas pode oferecer, citando destinos como Poços de Caldas e São Lourenço.

Em sua fala, defendeu uma visão do turismo como atividade econômica e destacou a possibilidade de diferentes públicos encontrarem experiências adequadas às suas condições de consumo.

Também ressaltou a importância de valorizar a identidade mineira.

“As pessoas vêm a Minas querendo ser mineiros uns dias.”

A declaração sintetiza uma ideia importante para o turismo: vender não apenas um destino, mas uma experiência.


Luís Eduardo Falcão: “turismo e eventos são desenvolvimento econômico”


Representando Cleitinho, Luís Eduardo Falcão foi direto ao defender uma mudança na forma de enxergar o setor.

“Turismo e eventos são desenvolvimento econômico.”

Para exemplificar, citou a Festa Nacional do Milho, em Patos de Minas, e os diversos setores beneficiados pela realização de um grande evento.

“Quem vem na festa vai ficar no hotel, vai consumir no restaurante, nos bares, vai usar transporte, vai comprar roupas no comércio local.”

Na avaliação apresentada durante o encontro, o impacto não termina no local do evento.

Salões de beleza, comércio, restaurantes, hotéis, transporte e produtores locais também participam dessa cadeia.

“Isso é uma roda gigante de oportunidades.”

Falcão também defendeu a necessidade de políticas de Estado para o setor, destacando que aquilo que funciona deve ser mantido e aprimorado, ao mesmo tempo em que novas ações precisam ser incorporadas.


Jarbas Soares: sem infraestrutura, o turista não chega


Representando Patrus Ananias, Jarbas Soares Júnior colocou infraestrutura e integração regional entre os principais pontos de sua fala.

Para ele, o turismo precisa dialogar com diversas áreas do governo.

“Nós sabemos, já com o turismo, dialogar com a cultura, com o meio ambiente, com o esporte, com o lazer, com a segurança pública, com o desenvolvimento regional, com o transporte, com o comércio, com a gastronomia e todas as outras atividades econômicas correlatas.”

E resumiu:

“A infraestrutura é ponto fundamental para o turismo.”

Jarbas citou o acesso a destinos como Tiradentes como exemplo dos desafios enfrentados pelo visitante.

“Tiradentes é muito bom, mas para chegar lá é um sofrimento.”

Na proposta apresentada, rodovias, aeroportos e integração entre diferentes meios de transporte precisam fazer parte de uma política de desenvolvimento turístico.

Também destacou a qualificação profissional.

“Isso passa pelo sistema de aprendizado dos nossos trabalhadores.”


Flávio Roscoe: infraestrutura, formação, comunicação e segurança


Flávio Roscoe apresentou uma visão baseada em quatro eixos para o desenvolvimento do turismo: infraestrutura, formação profissional, comunicação e segurança pública.

“O que nós acreditamos que o setor de turismo precisa é essencialmente de investimentos em infraestrutura, formação de profissionais e comunicação, divulgação.”

E acrescentou:

“Esses quatro eixos são essenciais.”

Roscoe também defendeu a redução de burocracias e maior participação da iniciativa privada no setor. Em entrevista após o encontro, afirmou que pretende revisar normas e reduzir entraves burocráticos como parte de sua estratégia para o turismo.

Ao falar sobre infraestrutura, destacou que os investimentos realizados para o turismo também beneficiam a população.

“O investimento de infraestrutura que você faz para o turismo, toda a sociedade ‘bebe’ nele também.”

O candidato também chamou atenção para a necessidade de ampliar a divulgação de Minas Gerais.

A lógica é simples: não basta ter bons destinos. É preciso fazer com que o Brasil e o mundo saibam que eles existem.


E agora?


O encontro da Fecomércio MG deixou claro que o turismo apareceu na agenda dos candidatos por diferentes caminhos.

Há quem enfatize infraestrutura. Outros destacam comunicação, gastronomia, eventos, qualificação profissional, acessibilidade econômica, segurança, integração regional ou participação da iniciativa privada.

São visões diferentes sobre um mesmo desafio.

E talvez a pergunta mais importante para o eleitor não seja apenas “o que o seu candidato pensa sobre turismo?”

Mas também:


Qual é a proposta? Quanto custa? Quem vai executar? Como será medida? E de que maneira ela chegará aos municípios do interior?


Minas Gerais tem 853 municípios e uma enorme diversidade de destinos.

O potencial turístico está colocado.

O debate de ontem mostrou que o setor quer mais do que reconhecimento: quer planejamento, políticas públicas, investimentos e resultados.

Agora cabe acompanhar os compromissos apresentados e verificar quais deles estarão, de fato, nos programas de governo e nas prioridades do próximo Governo de Minas.


Porque turismo não é apenas viagem. É emprego, renda, cultura, negócios e desenvolvimento.

João Paulo Dornas

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