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Tradição une queijo e turismo rural no Norte de Minas

  • Foto do escritor: Fluxo BH
    Fluxo BH
  • há 13 minutos
  • 2 min de leitura

Produzido artesanalmente no Sítio Vó Luzia, iguaria carrega memória familiar, reconhecimento em concursos e abre caminho para o turismo rural

Memória afetiva, apoio familiar e dedicação são os principais ingredientes do requeijão moreno fabricado no município de Serranópolis de Minas. No Sítio Vó Luzia, o produtor Carlos Alessandro Lucas e a esposa produzem, de forma artesanal, cerca de 50 quilos da iguaria por semana.

A atividade é uma tradição passada entre gerações. “Meu avô era produtor de leite e, para aproveitar o que sobrava e garantir uma renda extra, minha avó produzia requeijão moreno para vender na cidade”, conta Carlos.

Após o falecimento da matriarca, a produção foi interrompida. Somente em 2019, motivado pela alta produção de leite e pela saudade do sabor que marcou a infância, Carlos decidiu retomar a fabricação. “Foram várias tentativas. Com a lembrança de vê-la produzindo, a orientação do meu pai e de outros familiares, consegui chegar ao ponto”, relembra.

Para regularizar a produção, o produtor buscou o apoio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG). Orientações sobre boas práticas de fabricação do requeijão moreno, regularização da agroindústria e assistência técnica em bovinocultura leiteira estão entre os trabalhos realizados pelo extensionista Gentil Dias Neto.

Além do requeijão moreno, a família também produz doce de leite, manteiga de requeijão e se dedica ao cultivo de café. A comercialização acontece tanto no próprio sítio quanto em Belo Horizonte.

A qualidade da iguaria já rendeu ao produtor medalhas em diversos concursos. Carlos destaca que o Sítio Vó Luzia está na família há cerca de 80 anos e que a atividade rural sempre foi sua maior paixão. “Aprendi com meu avô e com meu pai. Nunca pensei em ir para a cidade. Para mim, é um privilégio continuar o trabalho dos meus avós e espero que meus filhos sejam os próximos sucessores”, afirma.

Turismo rural

A abertura do sítio para o turismo surgiu de forma inesperada, em 2020, com uma proposta inovadora. “Um amigo sugeriu que convidássemos um pequeno grupo para um café com requeijão. As pessoas gostaram e a divulgação foi acontecendo no boca a boca”, conta o produtor.

Com o tempo, a iniciativa se tornou fundamental para ajudar a família a superar um dos maiores desafios enfrentados ao longo da trajetória: a falta de recursos financeiros.

Para conhecer a história do sítio, andar a cavalo e apreciar o café, o requeijão, as quitandas e as frutas da região, é necessário realizar agendamento prévio.


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